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O Peso da Glória

(Mensagem pregada no Concílio Organizatório da Igreja em Campinas com adaptações textuais)

Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, cai sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava (Ez.1:28).

Não podemos definir com facilidade a palavra glória, porque a mesma traz em si um peso tremendo quando atribuída a pessoa de Deus. A glória consiste em honra exaltada, em louvor ou reputação, ou em alguma coisa que ocasiona o louvor ou é o objeto desse louvor. Também pode significar esplendor, magnificência. A própria presença de Deus pode ser chamada de glória, por causa de seu estado exaltado.

Vários termos hebraicos são usados para indicar a ideia de glória. O vocábulo mais comum é Kavod, que se deriva de Kaved, ser pesado, dando a ideia de alguma coisa importante. Por extensão metafórica, veio a indicar valor, dignidade, esplendor, algo revestido de substância espiritual. A palavra era usada para aludir à estatura ou o peso físico de uma pessoa, ou então às riquezas ou à posição social de alguém.

Especificamente, no que tange a Deus, a Sua glória é a sua espantosa presença, as suas perfeições, os seus atributos, a sua santidade. A glória de Deus é a expressão da sua santidade, tal como a saúde manifesta-se sob a forma de beleza física. A aparência divina é de uma majestade gloriosa (Êx. 24:17). O valor intrínseco, que se manifesta claramente, é uma manifestação de glória. A Bíblia diz que houve um homem de Deus chamado Ezequiel. O seu nome significa: Deus fortalece. Ele viveu em um tempo bastante conturbado no contexto histórico da nação de Judá. Os primeiros anos de sua vida os viveu através do declínio político e espiritual de Judá. Testemunhou a ascensão e a queda de quatro reis. A invasão de sua nação pelas tropas do rei Nabucodonozor, levando cativas várias pessoas, inclusive o rei Jeoaquim.

Ezequiel fora levado para Babilônia e estava entre os cativos junto às margens do rio Quebar. Por certo estava triste e saudoso da sua pátria. As notícias que vinham de Jerusalém eram desanimadoras. Clamava ao Senhor para que interviesse em favor do Seu povo. De repente os céus se abrem e as misteriosas revelações de Deus se descortinam diante do profeta.

O profeta contempla a glória de Deus revelada nas misteriosas criaturas. Um firmamento semelhante a cristal e um trono por cima das suas cabeças. Um Ser glorioso assentado nesse trono. Dos seus lombos para cima e para baixo e no seu interior era fogo. O Varão era todo de fogo! Será que o Senhor Iavé havia se lembrado de Judá? Creio que assim pensava Ezequiel, estupefato diante da glória do Deus de Israel.

O Senhor comissiona o profeta para uma grande obra entre os cativos, designando-o para os avisar do juízo que era iminente.

Num determinado dia estava o profeta em sua casa. Deus se manifesta mais uma vez em forma de fogo, eis que a glória do Deus de Israel estava ali. Desta vez o profeta com tristeza contempla a glória do Deus Eterno se afastando da nação. Os querubins alçaram as suas asas, e se elevaram da terra. Icabô! Foi-se a glória!

O que o profeta Ezequiel vira em visão o profeta Jeremias testemunhou, numa dura realidade, o fiel cumprimento desta visão. Os soldados de Nabucodonozor entraram no templo saquearam-no e o reduziram a cinzas. Segundo os historiadores, à medida que os soldados adentravam ao templo cortavam o ar com suas lanças, em afronta ao Deus de Israel. Era o inverso da inesquecível cena dos dias de Salomão, quando a glória de Deus (a Shekinah), foi vista no templo quando o Senhor ateou fogo sobre o altar consumindo o holocausto. A nuvem gloriosa encheu a casa, impossibilitando os sacerdotes de ministrarem (II Cr. 7:1-3). O profeta Jeremias perambulou atônito pelas ruas despedaçadas de Jerusalém. Toda a dor do profeta e do seu Deus foi manifesta no livro das Lamentações: Como se acha solitária aquela cidade, dantes populosa! Tornou-se como viúva e etc…”

Nos capítulos 36 e 37 do profeta Ezequiel, eis uma promessa. Numa visão, o Senhor promete ao Seu povo que os levaria do exílio para Jerusalém e que não seriam mais tirados da sua terra natal. Poria dentro deles o Seu Espírito e lhes daria um coração de carne. O Senhor literalmente haveria de ressuscitar o Seu povo. Deus mostra ao profeta um vale de ossos sequíssimos e recebe ordem para profetizar aos ossos secos. Em seguida o caos vai tomando forma. O resultado foi um vale cheio de mortos, porém o espírito entrou neles e se puseram em pé um grande exército, grande em extremo.

No capítulo 43, Deus se revela mais uma vez ao profeta da glória de Deus Ezequiel, mostrando-lhe mais uma vez a Sua glória. E eis que a glória do Deus de Israel vinha do oriente; e a Sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da Sua glória. E o aspecto da visão que vi era como o da visão que eu tinha visto quando vim destruir a cidade; e eram as visões como a que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. E a glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta, cuja face está para o lado do oriente. E levantou-me o Espírito e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do Senhor encheu o templo. O Senhor haveria de restaurar a glória do templo (Ez. 44:1,2 ; Ag. 2:9).

Passados os séculos, num determinado dia; como se olhássemos o invisível através do véu histórico com olhos de profeta, vamos estar no templo em Jerusalém. Os anjos de Deus se comovem e jubilam, pois naquele dia haveria de entrar no templo, o Rei dos reis, Senhor dos senhores o Desejado das nações. A casa se enche de glória. Os anjos dizem com júbilo: Kadosh! Kadosh! Kadosh! Adonai Tsevaôt! (Santo! Santo! Santo! É o Senhor dos Exércitos!) A glória do templo chegou! Maria introduz ao templo uma criança recém-nascida. Era a glória do Deus de Israel. A maior teofania da história. Glória a Deus!

Após quatrocentos anos de silêncio surge uma nova aurora para toda a humanidade. Deus transpõe um enorme precipício que havia distanciado toda a raça humana da sua presença, Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. (Fl. 2:6-8).

A palavra grega utilizada para descrever Cristo“se esvaziando é Kenosis. Jesus abriu mão das prerrogativas divinas, passando por um grande processo de humilhação. Deus tornou-se vulnerável. Os homens poderiam tocá-lo, qualquer um poderia conversar diretamente com o Filho de Deus e permanecer vivo e até mesmo discutir com Ele. Era um Deus que poderia ser ouvido e visto. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhece. (João 1:18). Quem me vê a mim, vê ao Pai. Deus poderia agora falar com toda e qualquer pessoa, sem causar tremor e assombro (Hb. 12:21). Tomou a forma humana: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14). Adquiriu CPF e um endereço. Foi uma descensão gloriosa! Um mistério tremendo!

Após o cumprimento do Seu ministério terreno, Jesus ascendeu ao céu, transferindo para a Igreja a Sua honra. Assim como Jesus habitou aqui na terra em um corpo humano, agora o Senhor viveria uma vida mística em um corpo tomado de toda a humanidade a Sua Igreja. A Igreja é o templo de Deus (I Pe. 2:5,6); a noiva celestial de Cristo (Ef. 5:25-27).

No dia de Pentecostes a Igreja foi consagrada pela unção do Espírito. Neste evento foi revivida a Shekinah (a glória manifesta no tabernáculo e no templo), cuja ausência era lamentada pelos rabinos e que há muito tempo fora vista e partira do templo, contudo manifesta em Jesus e agora na Igreja, através da descida do Espírito Santo. Foi uma mudança radical no âmbito celestial. Agora um Deus Santo e perfeito vive dentro de seres humanos imperfeitos.

Vivemos na Era do Espírito. O Espírito Santo vive na Igreja e manifesta através da mesma a multiforme sabedoria de Deus; a revelação da Sua graça; a aquisição das insondáveis riquezas e nos faz assentar em lugares celestiais. Temos a grande responsabilidade de refletimos toda glória de Deus ( II Co. 3:18). Se alguém quiser ver Deus, O terá de ser visto através de nós.

Estamos vivendo no tempo do desfecho da história da Igreja. Está diante de nós um grande desafio: a concretização da Obra de Deus. Os olhos de Deus pairam sobre esta nação. Ouvi uma experiência de um pastor brasileiro que haveria de ministrar uma aula sobre missões em uma Universidade americana. Ao apresentar aquele pastor aos alunos, o Reitor da Universidade relatou que estava pedindo a Deus os meios de concretizar a obra de Deus em toda a face da terra. O Senhor respondeu: O tempo dos norte-americanos findou-se, a concretização da Minha obra virá dos povos de línguas hispânicas e principalmente dos de línguas portuguesas, ouçam este homem com atenção! Paul Y. Cho; quando esteve no Brasil disse: O Brasil é um leão adormecido, quando ele acordar o mundo inteiro ouvirá o seu rugido. Deus realiza uma obra gloriosa nesta nação. Esta nação é muito pequena para conter a glória da Sua obra. Todas as nações verão o cumprimento das Escrituras Sagradas.

Um grande dia se aproxima o dia da coroação e posse do Senhor Jesus como Rei de todo o universo. O sétimo anjo tocará a sua trombeta e a Igreja será arrebatada em glória. Quem sabe que neste momento você está sendo marcado para não provar a morte! Carros e cavalos de fogo chegarão e num relâmpago você subirá para estar num lugar misterioso de glória que você não imagina.

Na ilha de Patmos, o véu das revelações foi removido para o apóstolo João. Foram-lhe mostrados mistérios profundos. Um desses mistérios foi o Dia da Coroação do Senhor Jesus. Em meio aos relâmpagos, vozes e trovões foi vista por João a arca do concerto no templo. Esta arca tem sido trazida para o meio de um povo que deseja selar um pacto com seu Deus. Mistérios profundos serão revelados nestes últimos dias da história da Igreja. O Livro dos Sete Selos será aberto e mistérios insondáveis revelados aos que estão preocupados em servir ao Senhor com fidelidade. Será uma imersão nos segredos do Altíssimo. Em meio a este mundo conturbado e mergulhado no pecado, podemos viver uma vida em santidade e desfrutar do privilégio da presença do Espírito de Deus e recebermos os mistérios da Sua graça. O Senhor está montado em seu cavalo branco à frente da Sua obra. A Igreja marchará como um exército formidável com bandeiras, formosa como a lua, brilhante como o sol”.

A Igreja é chamada pelo Senhor de morena, pois é queimada com o Sol da Justiça. Alegrai-vos, servos do Altíssimo! O Senhor virá para dar uma grande vitória a Sua Igreja. O Concerto de Deus atingirá a Igreja Geral Militante, preparando-a para o arrebatamento. O Homem que é todo de fogo nos queima nesta hora. Um fogo que não destrói, porém nos purifica e nos induz a tomarmos uma posição para melhor servi-lO. O Senhor deseja que sejamos participantes da Sua glória e natureza e quer nos transportar para dentro de si mesmo nos levando do estado comum para o extraordinário, do humano para o divino, enchendo o nosso vácuo com Sua plenitude. Por certo o Deus trino operará em nós, levando-nos a querer e a fazer todo o beneplácito da Sua vontade. Glória no passado pelos pecados perdoados. Glória no presente pelo Espírito de glória que habita em nós. Glória no porvir pelo corpo de glória que o Senhor nos dará e pelo céu que nos aguarda. Tudo em nós seja: Glória! Glória! Glória!

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